A culpa é de quem?

A culpa é de quem?

A culpa é de quem?

Acho que me enrolei mais de um ano pra fazer este texto, posterguei. Sabe aquele tema de terapia que tu sabe que tem que trabalhar, expor, remexer, cavoucar, mas posterga porque é denso, chato e talvez tu não consiga terminar de falar sem umas quantas lágrimas derramadas?

Esse tema pra mim é a culpa. Vivi por muito tempo com essa mochila pesada, carregando como parte do corpo pra cima e para baixo, como se sem ela eu não vivesse, como se sem ela não me reconhecesse como eu mesma.

Ela era para mim como uma identificação. Culpava-me por ir, por não ir, por falar, por deixar de falar, por viver, por deixar de viver, por sorrir, por não ter sorrido, por chorar e por não ter chorado.

Parece loucura, mas sentia culpa por estar triste e, com esse estado de humor poder contagiar com negativismo ou ser chata com os outros pela minha própria tristeza. Eu pensava: como vão me aguentar assim? Nem eu me aguento.

Legião Urbana perguntava: A culpa é de quem? E eu já achava que era minha.

Percebo que essa culpa toda era medo de errar, comigo e com os outros. Medo de não viver o protocolo (que protocolo?) ou não viver tudo que era para eu viver. Basicamente, me atordoava uma demanda externa e interna: preciso fazer o que esperam que eu faça e preciso fazer ao mesmo tempo o que eu quero fazer.

Às vezes dá pra conciliar, todo mundo fica feliz! Só que às vezes essa conta não fecha, das duas uma: ou vou fazer o que esperam que eu faça ou vou fazer o que eu quero fazer. E lá vem mais um mar de pensamentos: se faço o que quero fazer é egoísmo ou auto respeito? Se faço o que os outros esperam é solidariedade, companheirismo ou não assumir meu desejo? Ou seja, sempre havia espaço pra eu me sentir culpada.

A vida tá cheia dessas sinucas de bico. Segue teu coração é o conselho de sempre, mas juro que o meu tá com defeito porque às vezes ele mira em todos os caminhos ao mesmo tempo. E é exatamente este o ponto: em nenhuma das opções escolhidas vai existir a tal perfeição. A única diferença agora, sem essa mochila que pesava 200kg é que antes eu escolhia um e me arrependia por não ter escolhido outro.

Agora eu sei que depende de um olhar mais carinhoso comigo. Fiz o que eu achei que era melhor, naquele momento, naquela situação: bom, ruim, mais ou menos, péssimo, ótimo, vamos ver depois, foi o que deu com aquilo que tinha.

Mas agora, sem essa mochila, tá mais leve pra viver.

Juliana Soeiro – Psicóloga Clínica CRP: 07/26220 TEL: 51. 981345357

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