Por que mulheres solteiras há muito tempo incomodam tanto?

Por que mulheres solteiras há muito tempo incomodam tanto?

Lendo essa matéria me fez refletir sobre como estamos ainda acostumados a lidar com machismo do homem, mas você já parou para refletir que o machismo pode vir da sua mãe, amida e claro, da famosa frase das tias: e os namoradinhos? A revista Cosmopolitan publicou um artigo sobre o tema, que achei bem legal compartilhar aqui com vocês.

“Nossa, tão bonita e ainda solteira?” “Quando você vai sossegar e arrumar um namorado? O tempo está passando.” “Também, saindo sempre na balada, postando fotos com bebida, nenhum cara vai querer nada sério com uma mulher assim.” “Tudo bem namorar mesmo sem estar tão apaixonada pelo boy, pelo menos ele é a fim de você.” Essas são algumas das pérolas que as solteiras escutam o tempo todo. Isso não acontece só na sua festa de família, no seu trabalho, e vindo do seu próprio círculo de amigas.

E o que dizer dos termos “solterona”, em espanhol (que dispensa tradução) e “shengnu”, que em mandarim se refere tanto a “sobras” quanto a mulheres solteiras? E da declaração do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que no ano passado disse publicamente que a mulher que recusa a maternidade é uma mulher pela metade?

Essas foram algumas das descobertas feitas pelas cineastas espanholas Mariona Guiu, 37 anos, e Ariadna Relea, 40, sobre o estigma da solteirice em diferentes partes do mundo. Sentindo essa pressão na própria pele aos 30 e poucos anos, Mariona começou a achar que tinha algo errado com ela apenas por “ainda estar solteira nessa idade”. Depois de passar um tempo desperdiçando energia com um monte de boys lixo e se culpando por relacionamentos errados, ela percebeu que sua preocupação não era o fato de estar sozinha, mas o de se incomodar com isso. Afinal de contas, qual o problema em estar solteira? E mais: como as mulheres de outras partes do mundo lidavam com essa questão? Para responder a essas perguntas, Mariona se uniu à amiga Ariadna, em 2013, e juntas pesquisaram a realidade das mulheres solteiras em diferentes países. Também entrevistaram diversas delas. O resultado está no documentário Single[Out], que está em fase de finalização.

O filme mostra que a solteirice está em alta. Pela primeira vez, o número de pessoas solteiras está superando o de casadas em diversas partes do mundo. Nas áreas urbanas da Austrália, um terço das mulheres de 30 a 34 anos não tem um parceiro. A porcentagem na Espanha é a mesma. No Japão, 30% das mulheres de 30 a 45 anos também estão sozinhas.

Na China, mais de 800 mil mulheres acima dos 30 anos, com renda e escolaridade elevadas, escolheram não subir ao altar. As cineastas não chegaram a fazer entrevistas com brasileiras, mas segundo o último censo do IBGE, de 2010, éramos mais de 30 milhões. Nos Estados Unidos, a porcentagem de casadas na faixa dos 30 anos está abaixo dos 50% pela primeira vez. Apesar dessa tendência crescente, o estigma e o preconceito persistem. “Não importa quão bem-sucedida a gente seja. Se uma mulher está solteira com 30 e poucos anos, a culpa é dela. Somos responsabilizadas por isso, e acabamos nos culpamos também”, disse Ariadna.

“As pessoas se obrigam a viver em arranjos nos quais não se sentem bem, só porque querem seguir convenções sociais”, afirma. Esse é um dos motivos pelos quais aquela sua amiga (ou você mesma… quem nunca?) não consegue se livrar daquele boy lixo… Tá errado, miga! A vida de casada é boa, só perde pra de solteira. Nesse caso, o cantor Wesley Safadão não poderia estar mais certo.

Bora virar esse jogo? Entender que não há nada errado com a gente por estarmos solteiras é o primeiro passo. E o verbo que você deve conjugar em sua vida de solteira é “estar”, não “ser”. Fazer parte de um relacionamento é uma fase da vida, assim como estar em um trabalho ou em um grupo de amigos. “Ter a consciência de que nada é para sempre, nem os relacionamentos, é um ótimo começo. E sempre ser gentil consigo mesma, afinal você é a única pessoa com quem irá passar sua vida inteira”, diz Nathalie. Se aparecer alguém com quem valha a pena se juntar, ótimo, senão, ótimo igual!

Pelo direito de ser como eu quiser!

Mulheres que estão solteiras e sabem que, sim, está tudo bem, obrigada!

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