Anne “E”

Anne “E”

Fonte da imagem: madlyluv.com

Você já assistiu o seriado Anne with An “E”? Confesso ter ficado emocionada ao assisti-lo. Essa história mostra as dificuldades que a menina passa desde os três meses de idade, quando ficou órfã, até os treze anos de idade, quando encontrou um lar definitivo para desfrutar sua tagarelice e alegria de quem tem certeza dos seus desejos por ler muito e ter uma imaginação que a confortava em tempos difíceis. Até chegar a esse casal de irmãos, que na verdade queria adotar um menino, perambulou por diversas famílias que a faziam de empregada e a maltratavam sem se quer perceber o quanto era especial.

Muitos fatos me chamaram a atenção, como o da sua amiga Prissy, que se apaixonou pelo professor da turma sem saber que ele era gay e queria apenas manter seu status, se escondendo em um casamento de fachada. Quando ela fala ao noivo que pretendia estudar após a união, surge a primeira decepção com a resposta por ele dada: “depois de casada, preciso da sua total devoção, não subiremos socialmente se estiver na escola”. O olhar da jovem se modifica, assim como sua fisionomia fica tensa, e a conversa com sua mãe reforça seu sentimento de tristeza por não poder seguir seus estudos: “tinha tantas esperanças para você mais ainda do que para mim mesma, era para ter iniciado a nova tradição de esposas educadas que pensam por conta própria”.

Porém, não foi dessa vez que as palavras maternas fizeram sentido, pois pegou o véu e foi para a frente do espelho se admirar, estava iludida com o enxoval e a possibilidade de ser dona de casa e construir uma família. Foram as palavras de Anne antes de ela subir ao altar que ressoaram com força, fazendo-a perceber o que seria de sua vida ao assumir esse matrimônio. Anne empina seu corpo, e as demais colegas em volta da noiva, em seus últimos preparativos, escutam com atenção suas palavras: “Espero que a relação de vocês se torne uma relação em que os dois realizem seus anseios. E um dia talvez possa voltar a estudar”.

Com a atenção voltada à noiva, todas perceberam certa inquietude da jovem que estava prestes a subir ao altar, e o inesperado acontece quando, após ser conduzida ao altar pelo pai, o padre busca ouvir o “sim” definitivo. Nesse momento, Prissy olha em volta, avista suas amigas, sua mãe, que desejava algo melhor do que um casamento, e de súbito sai em disparada para fora da igreja. As colegas se olham incrédulas e vão atrás dela, com uma forte neve caindo lá fora. Não questionam nada, apenas começam a pular e dançar. Estaria livre para estudar e buscar um futuro melhor para si, poderia enfim romper o ciclo das mulheres da família que tinham apenas um destino: o renunciar suas vidas em prol do casamento e da maternidade.

Ótima semana!!!

Rosane Machado

Mestranda em Estudo sobre as Mulheres, Gênero e Cidadania pela UAB de Portugal.

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