Setembro amarelo

Setembro amarelo

Recentemente, quando fui começar a escrever sobre o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção de suicídio, assisti a um vídeo no Youtube que, antes de tudo, queria recomendar. É uma palestra da psicóloga Karina Fukumitsu que fala no assunto com muita propriedade, respeito e empatia e é exatamente com esses valores que quero iniciar este assunto. Vou deixar o link no final do texto.

É um assunto sério, que precisa ser comentado com a devida atenção. Assim como a depressão, o risco de suicídio é, muitas vezes, subestimado. É justamente por este motivo que várias pessoas continuam sem receber nenhum tratamento preventivo.

É bastante comum ter pouca empatia com aquele que suicidou e/ou com quem demonstra estar sentindo uma dor que não é palpável – que é a dor emocional proveniente de uma crise existencial. Isto acontece ainda com mais intensidade quando a pessoa que está em crise aparentemente “não precisaria estar sofrendo” pelas condições sociais, pela aparência, por ter um bom relacionamento e/ou bons amigos. Não é raro ouvir “- mas ela (e) tem tudo, por que não está feliz?”.

Não é tão simples assim. Alguém com risco de suicídio está se sentindo extremamente desamparado (mesmo que efetivamente não esteja), desesperançado, desesperado, depressivo: são os chamados 4 “D’s”. Não está com saúde para receber críticas e julgamentos sobre a sua suposta “ingratidão com a vida”. Até porque são muitos fatores envolvidos no risco de suicídio: químicos, físicos, espirituais, sociais, filosóficos… Não é uma questão de gratidão ou ingratidão!

Esse pensamento parte do pressuposto que temos os mesmos recursos emocionais, mesmas experiências e o mesmo julgamento do que é a felicidade. É uma crítica muito perigosa, principalmente quando somos parte do círculo de amizades ou familiar dessa pessoa. “Quem está perto, compreende, quem está longe, julga”.

Está comprovado que qualquer vínculo – de trabalho, de amizade, familiar – pode auxiliar a sair dessa crise. Principalmente, através da escuta, do respeito, da empatia, do amor. Se essa pessoa não encontrou um sentido pra vida ainda, não quer dizer que ele não exista. Além do médico e da terapia, a melhor maneira de ajudar é acolher, estar perto. Quem pensa em escapar da vida está se sentindo, principalmente, sozinho.

Vídeo da psicóloga Karina Fukumitsu http:// https://www.youtube.com/watch?v=rNGzV2YHD4.

Juliana W. Soeiro Psicóloga CRP: 07/26220 Cel: 51. 98926-4043

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