3 poetas para lembrar

3 poetas para lembrar

Se homens poetas por toda vida tiveram dificuldade de se colocar como artistas nos espaços e na sociedade em geral o que podemos esperar das poetas do gênero feminino? Acho que não precisamos alongar a conversa, você já entendeu a que me refiro. Deste modo, hoje trago algumas destas inteligentes e criativas mulheres para gente lembrar e também se inspirar com suas obras e histórias de vida.

Hilda Hilst

Hilda de Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst, nasceu em Jaú, 21 de abril de 1930. Foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, alemão, inglês e italiano. Hilda Hilst faleceu em Campinas, São Paulo, no dia 04 de Fevereiro de 2004. Suas  principais obras são: Fluxo Floema, Cartas de um Sedutor, Tu não te moves de Ti, Alcoólicas e Bufólicas. Abaixo segue um poema de Hilda e para saber mais clique aqui.

Araras versáteis

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

 

Sylvia Plath

Sylvia Plath foi uma das poetisas de língua inglesa mais importante do século XX. Sylvia nasceu em 1932 em Boston, Massachusetts, em 1955 foi para Inglaterra continuar seus estudos. Começou a escrever os Diários ainda em criança, chamava-lhes o seu “Mar de Sargasso” . Foi um talento precoce: aos oitos anos uma poesia sua já era publicada em um jornal de Boston, no entanto, a maior parte de sua obra é póstuma, devido seu fim trágico.  A poetisa desistiu de viver no dia 11 de Fevereiro de 1963, aos 30 anos de idade. Nem todas as obras de Plath estão editadas no Brasil. As que podem ser encontradas são: A Redoma de Vidro (The Bell Jar), Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos (Johnny Panic and The Bible of Dreams) , XXI Poemas  , Pela Água (Crossing the Water), e Sylvia Plath – PoemasAriel (Ariel). Abaixo segue um poema de Sylvia e para saber mais clique aqui.

Limite

A mulher está perfeita.
Seu corpo
Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão de necessidade
Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés
Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.
Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena
Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas
Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim
Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor noturna.
A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca
De osso; ela está acostumada.
Suas crateras trincam, fissura.

(Tradução  Luiz Carlos de Brito Rezende)

 

Florbela Espanca 

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 — Matosinhos e faleceu em 8 de dezembro de 1930. Batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d’Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos, sua cidade natal. Abaixo segue um poema de Florbela e para saber mais clique aqui.

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist’rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…”Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Por Lua

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