O Gênero nas questões de saúde/enfermidade

O Gênero nas questões de saúde/enfermidade

Marlene Neves Strey

Os conceitos sobre saúde, em geral estão ligados aos conceitos de enfermidade e de normalidade, já que, desde um ponto de vista puramente biológico, a doença e a saúde se definem considerando os parâmetros do que é considerado normal. No entanto, saúde é muito mais complexo que um processo biológico. As contribuições de inúmeras disciplinas nos permitem dizer que saúde é uma construção social.

Um argumento que pode nos ajudar a compreender a saúde como uma construção social é o de que pessoas diferentes podem dar valores diferentes à saúde em relação a outros aspectos de suas vidas. Inclusive, uma mesma pessoa pode avaliar diferentemente a sua saúde em diferentes momentos de sua vida. A mesma coisa acontece nas sociedades e culturas em épocas distintas. Quem pertence a um determinado grupo social, de alguma maneira partilha as ideias e convicções desse grupo e, com a saúde, não é diferente. Assim, podemos afirmar que a saúde e a doença são construções sociais. Portanto, falar do binômia saúde/doença é ir além do biológico.

O gênero é básico nas considerações sobre saúde, mas deve ser considerado como fundamental a importância de fatores como a classe social, a etnia, a idade, a religião, a nacionalidade e assim por diante. Por outro lado, não se pode pensar que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes entre si e que existe homogeneidade entre os homens entre si e nas mulheres entre si. Existem alguns dados que demonstram que homens e mulheres apresentam algumas especificidades de gênero relativos à saúde, tais como esperança de vida, hábitos de saúde, modos de adoecer e morrer, auto-percepção da própria saúde, uso dos serviços sanitários e outros, que estimulam a tendência de somente levar em conta essas diferenças e não as semelhanças. Isso pode chegar a ser muito perigoso em algumas situações, como, por exemplo, em um ataque cardíaco. Existe uma certa tendência a considerar que os homens sofrem mais enfartos que as mulheres, o que tem levado muitas vezes ao diagnóstico diferente de sintomas semelhantes e o estabelecimento de distintos protocolos para uns e outras, o que tem sido denunciado por cardiologistas feministas americanas.

Em relação à saúde mental, em uma sociedade que estimula o individualismo como a nossa, eventuais problemas podem ser vistos como tendo causas internas ou fatores pessoais. No entanto, as teóricas feministas consideram que esses problemas são externos e originados em uma sociedade que tolera e, inclusive, estimula certos comportamentos, desvaloriza certos papeis e assim por diante. Um exemplo que ajuda a visualizar isso são as características de personalidade desejáveis que tendem a ser vistas mais como as masculinas. Uma mulher madura, sã e socialmente competente pode ser vista como se submetendo mais, se excitando mais diante das crises do dia-a-dia, tendo seus sentimentos feridos com mais facilidade e mais preocupada com sua aparência que um homem maduro, são e socialmente competente.

Tanto do ponto de vista físico como mental, nas questões de saúde é necessário levar em consideração as pessoas de carne e osso, suas circunstâncias, sendo que sexo/gênero que forem. Deve-se ir mais a fundo nas buscas das origens da doença, escapando de ideias estereotipadas. O mesmo se passa com o incentivo à manutenção da saúd

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