A cada 120 segundos no Brasil

A cada 120 segundos no Brasil

Feche os olhos e conte 120 segundos. Passou rápido ou passou devagar? Depende. Depende o momento e a situação que você se encontra, né?

Pois bem, então pense que no Brasil, cerca de 80% das mulheres faz parte das estatísticas dos casos de violência doméstica. Pense que nesse momento alguma mulher (como você, como eu) está sendo espancada por um marido, por um namorado ou por um ex. Só para reforçar, esse dado é da Pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado.

(Enquanto você lê esse texto, a cada 120 segundos, uma dor.)

Por esses dias, em Porto Alegre, uma mulher foi morta em plena luz do dia, enquanto pegava o ônibus. O ex-companheiro não aceitou o fim do relacionamento. Não sei se ele ainda está preso.

Em Goiás, também por esses dias, um vídeo viraliza com uma mulher apanhando do ex-companheiro por ele também não aceitar o fim do relacionamento. Ele foi liberado. Mesmo com o vídeo, segundo a delegada do caso, não haviam provas suficientes.

Agora a minha questão é: você realmente já parou pra pensar sobre isso? Será que você sabe que, talvez, a mulher que está ao seu lado, no trabalho, na faculdade, ou sua melhor amiga está passando por isso e você não sabia?

Será que você realmente se importa?

Em um momento que utilizamos de infinitos discursos sobre o feminismo, que pregamos nas redes sociais nossas bandeiras, gritamos para os ventos levarem a todos os cantos que somos contra discursos de ódio, o que de fato você faz?

Prestar atenção aos sinais. Acolher sua amiga, ou a desconhecida. Ajudar a divulgar e denunciar agressores. Muitos não são punidos. Muitos vivem a vida como se nada tivesse acontecido. E pode ter certeza que eles continuam vivendo como se nada tivesse acontecido. E como dói saber que você foi vítima de um “esquerdomacho” que sai pregando “amor” por aí, enquanto você, a vítima, ainda continua enclausurada!

(Enquanto você lê esse texto, a cada 120 segundos, uma dor.)

Então, o que podemos fazer? Te digo amigo, amiga: Acolhe. Lembre que aquela pessoa foi vítima e que as cicatrizes são pra sempre. Não esqueça. Não ache que a culpa é dela. Ajude no combate à violência. Divulgue. Denuncie. Ou apenas ajude quem precisa se fortalecer.

Não defenda o agressor.

Por Caroline Tatsch.

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