O ciúme mata a alma e envenena

O ciúme mata a alma e envenena

Costumo dizer que quem tem ciúmes está com uma doença grave. Muito grave, porque, diferentemente das outras, é uma doença da alma e não tem remédio para tratamento. Quantos relacionamentos terminados pela dificuldade de lidar com as próprias inseguranças e com a liberdade do outro.

Ele vai se espalhando como metástase e inundando as relações de veneno. Pouco a pouco vai se disseminando: olhando as mensagens do parceiro (a), pedindo sua localização a todo instante, proibindo as suas saídas, sufocando este outro até a relação afetiva piorar, tornando-se cada vez mais abusiva ou até terminar de vez.

De onde vem esta ideia de que “o outro” precisa nos dar mais atenção e estar mais disponível para nós do que para todo o resto?

Acho que os psicanalistas vão assinar em baixo, porque ao meu ver, isso é um buraco antigo. Permaneceu na vida adulta uma dependência infantil, pois somente na infância tínhamos vinte e quatro horas por dia alguém pendente das nossas necessidades, atendendo a quase todas elas, nos fazendo carinho e deixando as demais demandas do universo para depois.

O ciumento regride a esse momento, porque assim como o bebê que quando não tem as necessidades atendidas “esperneia”, o ciumento faz o mesmo: briga, chora, faz “manha”, manipula, até conseguir o que quer. Longe de mim culpar essa mãe ou este outro que cumpriu este papel parental nos primeiros anos de vida, porque tirando casos mais graves, normalmente ele fez o que pôde e deu o melhor de si naquele momento.

Na idade adulta, espera-se que possamos assumir a responsabilidade sobre nós mesmos. Podemos e devemos ser essa mãe cuidadosa: atendendo os nossos desejos, nos cercando de pessoas, atividades, lugares e interesses novos que vão preencher esse buraco, sem jogar a responsabilidade de preencher esse vazio no outro. Só depois de conseguir alimentar a criança interna de amor, carinho e cuidado, conseguimos estar inteiros. Prontos para uma relação saudável.

 

Juliana W. Soeiro

Psicóloga – CRP 07/26220

(51) 989.864.043

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