A sororidade vai nos salvar

A sororidade vai nos salvar

Li recentemente o livro “Da fama à fome” da querida amiga Vera Ceroni, que é formada em Psicologia, Enfermagem e Ciência Políticas. Vera trabalhou durante 23 anos nas áreas de psiquiatria, dependência química e geriatria. Hoje,  além de escritora e atuante em causas sociais e culturais, é Embaixadora da Paz no RS – título que faz total sentido.

Bem, a obra conta toda a dramática trajetória da ex-modelo gaúcha Josi Campos. Josi foi foi uma das musas dos anos 80, modelo, atriz, ganhou muita fama e dinheiro, foi capa da revista Playboy, entre tantas outras. Em 2004 foi encontrada pelo Jornal Extra vivendo em condições sub-humanas em seu apartamento no Rio de Janeiro, sem luz, pesando menos de 50 quilos.

A história a partir daqui é de total sororidade. Mas antes de dar alguns spoilers do livro da Vera, você sabe o que significa sororidade? Palavra quem tem sido muito usada nas causas feministas. Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. Está fortemente presente no feminismo, sendo definido como um aspecto de dimensão ética, política e prática deste movimento de igualdade entre os gêneros. Voltando a história da Vera e da Josi…

Josi foi “resgatada”, após a reportagem, pela Vera Ceroni. Mas você deve estar se perguntando por que a Vera foi até o Rio de Janeiro resgatar a Josi?! – Na época a Vera tinha uma clínica de internação em Porto Alegre e pasmem, ela já conhecia a Josi e não era das revistas. A musa dos anos 80, conhecida como A garota de Ipanema havia sido a primeira namorada e grande amor do atual companheiro da Vera, o relacionamento deles acabou sendo finalizado quando a Josi despontou na fama.

Ao saber do caso de vulnerabilidade e total abandono, Vera deixou todos os seus ressentimentos do passado e resgatou a não mais Musa ou Garota de Ipanema, mas uma mulher frágil e com uma doença muito séria, a esquizofrenia. Levou para sua clínica, amparou, cuidou, medicou, deu carinho e amor. Se tornaram grandes amigas, e a história de total sororidade virou livro. A obra também aborda sobre a doença esquizofrenia.

Não posso deixar de dizer que terminei o livro em lágrimas, uma certa tristeza e raiva pelo abandono desta mulher que foi uma estrela, mas de imenso alívio no coração pelo ato de amor e coragem da Vera. A vida é mesmo como a Roda da Fortuna – carta do Tarot – um dia estamos em cima, no outro estamos embaixo, e o que importa no fim é termos amor uns pelos outros. Nós mulheres somos incríveis, e quando estamos dispostas a ajudar umas as outras, somos imbatíveis. Sororidade sempre, manas!

 Capa do livro Da fama à fome – Vera Ceroni

 

Por Lua

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