Se eu te perguntar: em que nós mulheres, no geral, somos boas?

Se eu te perguntar: em que nós mulheres, no geral, somos boas?

Não sei tu, mas muitas de nós vão responder: em cuidado, em cuidar.

Estou generalizando, nem todas as mulheres – mas, muitas de nós, realmente, somos muito eficientes no ato de cuidar. É recompensador poder fazer algo por quem a gente ama, estar ao lado, dar colo, afeto.

No entanto, somos boas em tantas outras coisas não é? É realmente necessário que o ato de cuidar seja o principal que nos qualifica para o olhar externo?

Acho que nós mulheres nos perdermos, e muito, nesse papel maternal. Eu já ouvi muitos relatos de mulheres dizendo que se dedicaram a vida a cuidar de alguém ou de alguns e se esqueceram de si:

Mulheres que ficaram doentes, mulheres que não tiveram um hobbie, uma profissão, um sonho. Mulheres que ganhavam pouco dinheiro e com o pouco que tinham doaram tudo pros filhos e netos.

É muito comum casos de mães que se dedicam somente aos filhos, fazendo tudo por eles, criando pessoas imaturas, dependentes. Também na mesma linha, muitas esposas, que se dedicam somente aos maridos, convivendo com homens folgados, egoístas. Muitas avós passando toda sua aposentadoria para a sucessora linhagem…

É realmente muito nobre o ato de cuidar, mas te pergunto, ele está a serviço de que?

Percebo que esse cuidado a que me refiro aqui está a serviço de tudo, menos do “auto cuidado”. Muitas vezes ao cuidar demasiadamente do outro, não estamos cuidando – estamos vivendo a vida de outro.

“Cuidar” do outro em alguns aspectos pode ser até mais fácil. Falo isto porque se deparar com os próprios sonhos, angústias, desafios é complexo.

No fim das contas é pior pra todo mundo: Ao cuidar dos problemas do outro nos esquecemos das nossas questões a serem trabalhadas e o outro também fica “mal acostumado” e “dependente” dos nossos mimos.

Tenho certeza que nenhuma mulher faz isso de propósito, conscientemente. No entanto, é preciso discernir se esse cuidado está servindo para realmente ajudar.

É preciso perceber se isso torna o “outro” em um ser dependente de nós e, ainda, se não está a serviço de fugirmos da própria alma, negarmos nosso próprio “EU” – culpabilizando os demais por não termos tudo o que precisamos para sermos felizes.

Não tem nada de errado em apoiar, amparar, desde que isto aconteça de maneira saudável – estabelecendo vínculos de amor recíproco, livre de amarras: esse é o verdadeiro cuidado.

Juliana W. Soeiro
Psicóloga – CRP 07/26220
(51) 989.864.043

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